Inquérito a árbitros no activo: “Os jogadores erram e os árbitros também vão errar sempre” (Nuno Manso)
Monday June 01st 2009, 18:19
Filed under: Imprensa

São frequentes os comentários sobre eventual corrupção na arbitragem portuguesa ou sobre erros deliberadamente cometidos para prejudicar esta ou aquela equipa. Num rápido inquérito a alguns árbitros, pudemos constatar, contudo, que tais suspeitas parecem não passar disso mesmo: de suspeitas. Pelo menos, nenhum dos inquiridos admite ter alguma vez cedido às pressões que surgem dos mais diversos lados.

1. Alguma vez foi aliciado para viciar o resultado de alguma partida?
2. Tem conhecimento de alguém a quem isso tenha acontecido?
3. Alguma vez recebeu pressões de jogadores, treinadores ou dirigentes e acha que isso pode influenciar a actuação de um árbitro?
4. Acredita que há erros de arbitragem premeditados?
5. Como vê o caso “Apito Dourado”? Considera que identifica todos os casos de corrupção do país?
6. Se houvesse a possibilidade de um jogo ser repetido, após um erro de arbitragem flagrante, isso poderia reduzir as pressões e as tentativas de aliciamento aos árbitros?

cosmemachado
Cosme Machado, árbitro principal de 1ª categoria

1. Felizmente, até hoje, não.

2. O conhecimento que eu tenho é que, em todas as áreas, existem pessoas sérias e pessoas menos sérias. Até que provem o contrário, para mim todas as pessoas são sérias. É claro que há excepções, inclusivamente no meio da arbitragem, mas posso dizer que nada se passou comigo e não tenho conhecimento de situações.

3. Em Portugal, a quem está na 1ª Liga, a pressão acontece antes dos jogos, através de declarações de treinadores e dirigentes. E há telejornais em que o tema de abertura é o futebol e a arbitragem em si, o que naturalmente pressiona os árbitros e, por vezes, nós, com a sensação de não querermos falhar, podemos acabar por ser influenciados.

4. Eu tenho a felicidade de estar no quadro dos 25 melhores árbitros portugueses e, conhecendo um bocadinho de cada um, tenho a certeza de que, em Portugal, os árbitros querem dar o seu melhor contributo e tenho a certeza que cada um entra para cada jogo sem qualquer premeditação. O objectivo é fazer o melhor possível e ser o mais justo com as duas equipas.

5. Se calhar, até trouxe algumas situações menos correctas e que, de alguma forma, são um alerta para todos os árbitros para que vão pelo lado da verdade desportiva, a bem do futebol. Acho que o “Apito Dourado” também fez bem ao futebol para alertar as pessoas de que o futebol é um desporto e estamos aqui para julgar o jogo, porque somos juízes e mais nada para além disso.

6. A repetição de um jogo só é possível se houver um erro técnico de um árbitro, um erro de Direito. Acho que os erros vão acontecer sempre e que não há erros premeditados. Portanto, não é por aí. Se vamos falar em meios tecnológicos para ajudar o árbitro, acho que devem existir, desde que não tornem o futebol demasiado automatizado. Sou a favor das mesmas e o importante é a verdade desportiva.

flaviosousa
Flávio Sousa, árbitro principal de 2ª categoria

1. Não.

2. Não. Se, porventura, alguma vez me falaram sobre isso, não me recordo que tal situação tenha acontecido.

3. Não. Nem afecta o meu trabalho nem o da restante equipa de arbitragem. Sem dúvida, a pressão é normal, feita pelos jogadores e dirigentes antes, durante e após o jogo. Mas isso é aquilo com que temos que viver e temos que nos mentalizar que isso é normal.

4. Não acredito que isso seja premeditado. Sem dúvida que os erros acontecem a todos, tanto a árbitros como a jogadores e até treinadores, mas não passa de infelicidade na decisão. É normal que os erros aconteçam no decorrer de um jogo.

5. Relativamente ao caso “Apito Dourado”, tudo aquilo que foi divulgado, pelo menos até agora, nada se provou e ninguém foi condenado. Até agora, não podemos dizer que é um caso que veio sustentar aquilo que a comunicação social divulgou, através de dirigentes.

6. Eu ponho a questão de um outro modo. Se fosse um erro do jogador, poderíamos voltar atrás e retomar isso novamente. Acho que, relativamente ao erro do árbitro, seria, sem dúvida, benéfico para o futebol e haveria uma verdade desportiva mais limpa, mas, em contrapartida, seria um motivo pelo qual não se venderiam jornais durante a semana e não se manteria a crítica durante muito tempo.

nunomanso
Nuno Manso, árbitro assistente de 1ª categoria

1. Isso comenta-se muito, mas nada disso de que tanto se fala é verdade.

2. Não. Desconheço casos desses e, muito menos, me tentaram aliciar.

3. Nunca me senti pressionado. Isso depende da posição e da personalidade de cada um. Sobre os meus dirigentes, nunca senti da parte deles uma forma de me pressionar. Também faz parte da minha forma de estar e de ser não me deixar pressionar por qualquer pessoa que seja.

4. Os erros acontecem e fazer parte do ser humano. Vão acontecer sempre erros, embora não sendo premeditados. São casos do jogo que admito que não deviam acontecer, mas que acabam por acontecer sem serem premeditados.

5. Penso que o caso “Apito Dourado”, como toda a gente viu, não deu nada. Nunca estive completamente dentro do caso “Apito Dourado”. Até evito ler e ouvir coisas sobre ele, porque acho ridículo e passa-me completamente ao lado.

6. Todos nós cometemos erros, desde árbitros até jogadores. Se vamos por esse prisma de repetir todos os jogos em que um árbitro comete um erro, tínhamos 99 por cento dos jogos repetidos. Gostava de saber quando é que começava e quando é que acabava um campeonato. Os jogadores erram e os árbitros também vão errar sempre.

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1 Comment so far
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Até que idade o árbitro de futebol apita em Portugal na 1ª Divisão (Profissional)?

Comment by Manoel Mariano Vilarim Neto 04.29.10 @ 13:37



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