Árbitros em Portugal: Mudanças à vista
Sunday May 31st 2009, 19:28
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Bruno Simões
Márcio Silva

Corrupção, introdução de novos meios tecnológicos, profissionalização e até a emergência do plano feminino. O estado actual da arbitragem portuguesa é aqui traçado por quem com ela lida diariamente. O “Árbitros Portugal” revela agora as entrevistas, as reportagens, os vídeos, as imagens e todos os restantes apontamentos recolhidos junto dos principais intervenientes na arbitragem nacional, desde o próprio presidente da Comissão de Arbitragem (CA) da Liga Portuguesa de Futebol até aos membros do programa Trio D’ Ataque, da RTP, passando pelos testemunhos de vários árbitros – e também de uma árbitra…

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A época futebolística de 2008/09 voltou a levantar polémica em torno da arbitragem portuguesa. Os erros sucederam-se, as críticas subiram de tom e não faltaram propostas para tentar outros meios de assegurar a verdade desportiva. A introdução de novas tecnologias e a profissionalização dos árbitros de futebol são questões na ordem do dia. Um mote para falar com os responsáveis máximos da arbitragem nacional, bem como adeptos conhecidos dos chamados três grandes do futebol português. Vítor Pereira, presidente da CA da Liga, Luís Guilherme, presidente da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF), e os comentadores António Pedro Vasconcelos (Benfica), Rui Moreira (FC Porto) e Rui Oliveira e Costa (Sporting), responderam a cinco perguntas-tipo (áudio) sobre estas questões. O presidente da Comissão de Arbitragem da Liga admite que vê “com bons olhos” a introdução de uma câmara sobre a linha de baliza, para deixar mais claro quando é golo ou quando não é.

António Pedro Vasconcelos, pelo seu lado, afirma que “não há nada que pague ser árbitro”, acrescentando que não sabe “como alguém quer ser árbitro”. Ora, os moldes de iniciação e evolução na arbitragem são claros a nível técnico. No plano psicológico, contudo, é que estará a dúvida daquele conhecido comentador e adepto benfiquista. O certo é que os árbitros parecem passar um duro teste no início da carreira, quando actuam nos campeonatos distritais. O “Árbitros Portugal” acompanhou um desses jogos, com uma reportagem vídeo, e os insultos estiveram presentes. Cosme Machado, árbitro de 1ª categoria, comentou a pressão de dirigir uma partida distrital, atirando que, depois dessa experiência, “apitar na 1ª Liga é fácil”.

Cosme Machado fala ao “Árbitros Portugal” sobre isso e muito mais. A nem sempre fácil compatibilização entre a vida profissional e as exigências da arbitragem é comentada na primeira pessoa por este árbitro da Associação de Futebol de Braga (AFB), com quem a nossa equipa passou uma semana, o que permitiu elaborar uma reportagem alargada. De resto, a vida profissional é um lado por vezes esquecido quando se fala dos “homens do apito”. Para o lembrar, três árbitros equiparam-se a rigor e mostraram, em imagens elucidativas, as diferenças entre a sua roupa de trabalho habitual e o equipamento da ordem quando têm que pegar no apito.

Mas não só de imagens vivem estes árbitros. As tão comentadas suspeitas de corrupção, bem como a discussão sobre a introdução de novas tecnologias no futebol, são temas em debate com três juízes. Além de Cosme Machado, também Flávio Sousa, árbitro de 2ª categoria, e Nuno Manso, árbitro assistente de 1ª categoria, responderam a um mini-questionário, admitindo unanimemente que “há muitas pressões” no futebol mas que o juiz da partida tem de estar preparado para lidar com elas sem se deixar influenciar.

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Mulheres entram em campo

Quando se fala de árbitros, é sobretudo no masculino que se fala. Mas a arbitragem feminina já está também a afirmar-se cada vez mais, quer no panorama internacional, onde já há árbitras nos primeiros escalões de futebol de seniores masculinos, quer a nível nacional. Marlene Vieira foi a primeira juíza da Associação de Futebol de Braga e, com 31 anos, fala, em entrevista, da sua experiência pessoal num mundo maioritariamente de homens, traçando ainda o perfil da arbitragem feminina em Portugal. Marlene admite que a estranheza dos adeptos ainda é muito frequente mas revela que, pelo meio dos insultos que recebe, típicos de qualquer árbitro, também vai ouvindo uns piropos aqui e ali.

A arbitragem é sempre muito debatida pelo mais comum dos cidadãos, mas quem pisou os principais palcos do futebol português, durante vários anos, fazendo cumprir as leis do jogo, tem a experiência a favor e conhece como ninguém os meandros da arbitragem. Augusto Duarte e Paulo Paraty, antigos árbitros, contam à nossa reportagem as peripécias e erros da carreira, explicam a visão do árbitro em cada jogo e não esquecem as questões que se colocam actualmente à arbitragem. Nem o polémico caso “Apito Dourado” é deixado de fora.

Os principais erros de arbitragem são sempre motivo de enormes controvérsias entre adeptos e simpatizantes, entre jogadores e treinadores, entre dirigentes e árbitros. Uma dezena deles incendiou os ânimos nas competições nacionais da época de 2008/2009. Vale a pena recordá-los e acompanhar os múltiplos comentários (um total de 145 num curto espaço de tempo…) que suscitaram nos mais diversos quadrantes. Apesar de se tentar compreender o lado do árbitro, o certo é que os erros também não se podem negar. E os adeptos confirmam o espírito crítico em torno da arbitragem, mesmo quando temperado pelas naturais preferências (ou paixões) clubistas. Porque é mesmo de paixão que se fala quando se fala de futebol…

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Este extenso trabalho sobre a arbitragem em Portugal foi relatado em tempo real no blogue reservado ao Making Of do projecto. Um clique leva-o para as peripécias que a equipa viveu até conseguir chegar ao final com todas as peças produzidas.

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